segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
Esquerda Abertzale: avaliação da situação política no 31.º aniversário da Constituição espanhola
Fonte: ezkerabertzalea.info
Concentração a favor do «Egunkaria» em Durango

Joan Mari Torrealdai, Jon Irazabal e Josep Bargalló, entre outros, seguraram a faixa que se encontrava à cabeça da concentração. O representante da cultura catalã referiu que «temos direito a ser, pensar, decidir e expressar-nos de forma livre». Jon Irazabal, por seu lado, disse que a «Gerediaga Elkartea teve uma relação directa com o projecto do Egunkaria desde a sua fundação, faz agora 19 anos». A concentração, que durou 15 minutos, terminou com uma salva de palmas.
Mobilizações contra o TGV e em defesa dos direitos dos presos bascos
A mobilização a favor do Egunkaria não foi a única a ter lugar hoje em Durango, aproveitando a Feira do Livro e do Disco Basco (Durangoko Azoka) que actualmente decorre. Dezenas de pessoas secundaram, na Praça Landako, a concentração da Etxerat em defesa dos direitos dos presos bascos. Houve ainda uma acção de protesto contra o TGV que despertou grande interesse ao meio-dia. Vários jovens, levando faixas, subiram para o topo de um autocarro urbano.Ao longo da manhã, os protestos foram protagonizados por trabalhadores de uma empresa local que se encontram em situação de despedimento e por um grupo de professores expulsos da Universidade do País Basco.
Notícia completa: lahaine.org
Egunkaria libre!
http://egunkaria.info/
Betagarri, Ze esatek! e Trikizio / Ska em dose tripla, porque é preciso defender a alegria!
Betagarri - «Ongi etorri lagun» (Korrika 16, Gasteiz, Apirilak 5 de Abril)
Ze esatek! - «Zu gabe» (Kontxako estropadak, Donostia, Irailak 13 de Setembro)
Trikizio - «Jo Ta Ke» (versão do famoso tema dos Su Ta Gar)
Ez etsi, eutsi!
O «gaztetxe» Esparru renova o seu compromisso antifascista

Os jovens que gerem o espaço consideram que esta operação, que os atingiu mais de perto que nunca pelo facto de entre os detidos se encontrar a sua companheira Ainara Bakedano, representa «um novo ataque contra a juventude crítica e subversiva». Bakedano, que foi detida quando se dirigia para a Audiência Nacional, denunciou ter sido torturada pela Guarda Civil.
«É um novo episódio de montagem policial para criminalizar uma juventude que luta pela mudança no seu povo, e que pretendem reprimir à base de mão pesada e passando por cima de tudo». Assim o entendem os jovens do gaztetxe, que compareceram no sábado em frente a esse espaço para anunciar que as autoridades tinham levantado a proibição de acesso, que o espaço volta a estar novamente aberto e que vão continuar «a trabalhar com força e empenho para que ataques como este não voltem a acontecer».
«Este novo obstáculo não nos vai conseguir parar, posto que esta juventude inquieta tem vontade de mudar as coisas e lutar por um outro modelo social», anunciaram. E, apesar das adversidades e dos entraves que a irrupção policial representou para o seu funcionamento, decidiram unir-se e juntar forças para fazer frente a esta situação e «dar a volta às coisas», de acordo com a sua própria expressão. Por isso, avisam que vão «continuar a chatear essa gente que fica tão incomodada com o facto de haver espaços e pessoas com uma forma de pensar e de agir diferente».
«Quiseram sujar o nome do Esparru - referiram na conferência de imprensa - espalhando mentiras aos quatro ventos, e só podemos dizer que o gaztetxe é um espaço aberto a todo o tipo de lutas e movimentos sociais».
Por isso, dizem aos jovens de Iruñerria [comarca de Pamplona] que venham conhecer o Esparru e participem na organização e no desenrolar das suas actividades: «Aqui existe um espaço aberto para levar a cabo todo o género de iniciativas tendo por base o antifascismo».
Fonte: boltxe.info
Komite Internazionalistak: 1979-2009
Mais informação: http://www.komiteinternazionalistak.org/
domingo, 6 de Dezembro de 2009
«Eskubide guztiak»

A distância geográfica e o peso dos anos impediram-me de estar fisicamente na massiva manifestação de Bilbo para protestar contra a última onda de detenções de jovens nacionalistas abertzales. Mas, onde não chegam pernas, alcança coração. Estava eu ali, atrás da faixa que exigia todos os direitos. «Eskubide Guztiak». Porque o presente político e social não se pode limitar à defesa de um direito concreto; não se deve encerrar na moldura de uma petição limitada e administrativa. É preciso o fundamental.
E o fundamental é constituído por uma rede de direitos bastante categóricos, significativos e escassos em número, que constituem o cerne da liberdade. A liberdade constrói-se com esses direitos essenciais que funcionam como a tabela periódica dos elementos, em que, para que a vida mineral funcione, não se pode prescindir de nenhuma substância na ordem geral das valências. Quando se infringe ou desconhece algum desses direitos - o de expressão, o de pensamento, o de respeito pessoal, o de igualdade... -, toda a construção jurídica e humana se desmorona e deixa atrás de si a poeira asfixiante da brutalidade exercida. E não é legítimo perante esta realidade básica refugiar-se no conceito de excepção nos momentos qualificados como graves. Como também não é legítimo adjectivar esses direitos com reparos de forma a metê-los na cadeia, com abuso e escândalo. Esses direitos são plenos e determinam a absoluta saúde democrática do corpo social.
Seguindo a ordem destas reflexões, chega-se à conclusão de que os direitos de que falamos, fundamentais e genesíacos, não se podem declarar como próprios sem os contaminar de morte. São direitos que funcionam como o ar, que é de todos em comum embora cada qual o respire à sua maneira. Chegados a este ponto, não é coisa tonta condenar uma vez mais essa descrição da liberdade que consiste em definir a liberdade de cada qual como aquela que começa onde acaba a liberdade do outro. Monstruosa artimanha para fazer da liberdade um instrumento do poderoso contra o mais fraco ou minoritário!
Porque despedaçar a liberdade só ocorre àquele que possui armas para ficar com a fatia maior e determinante. A liberdade é uma dimensão do nascimento, momento em que ocorre a verdadeira igualdade. E a maturidade não se pode conceber abandonando a marca primeira que nos leva a ser. Aqueles que, a partir da sua suposta maturidade, democrática e política, desprezam a liberdade do conjunto ou a anulam por completo sabem que a sua atitude é determinada por um excesso de força que acaba sempre, sempre, no recurso impiedoso à mesma.
A multidão de cidadãos que encheram mais uma vez as ruas de Bilbo, em protesto contra o perverso furacão que atinge a juventude basca, defendia o lema «eskubide guztiak» como a única proposta para falar seriamente de liberdade e democracia. Ou haverá liberdade compatível com os encarceramentos e a tortura - desde a psicológica à física - que impedem alguns jovens de lutar pela sua pátria? E não se alegue, chegados a este ponto, essa salmodia sobre a necessidade de proceder politicamente e sem violência alguma.
Será que a violência se pratica com umas faixas ou com umas manifestações ideológicas? Pode dizer-se seriamente que um pensamento político, por muito calor que contenha a sua manifestação, equivale a força armada? E, se surge a irritação, digam-me, com a mão sobre os textos sagrados, quem verdadeiramente pratica a violência primeira e determinante no resto do turbulento processo. Falemos disso sem falsidade nem hipocrisia, sem rusticidade nos comportamentos institucionais. É doloroso, melhor ainda, triste, contemplar como a tribuna institucional se povoa de vozes elementares na expressão e nascidas de um vazio radical de ideias.
Eis uns quantos dirigentes a afinar as armas da sua Polícia e a falsificar a balança da sua pretensa justiça face àqueles que querem falar como povo necessitado de soberania para o ser. Esses dirigentes que qualificam sem análise prévia e que decidem apenas para a protecção de alguns interesses espúrios. Perante eles, não temos outra defesa que não seja a voz em campo aberto, entre mil perigos que espreitam a sua manifestação. E ante tal panorama há-de aceitar-se a balança com que tais dirigentes pretendem pesar a alma basca para ver se o seu peso excede a ordem da submissão? Levem daqui quem assim pretende governar de tal forma e com tais maneiras um país velho de liberdades e sempre jovem de consciência!
«Hemen torturatzen da». Aqui tortura-se, porque é tortura não apenas o inqualificável trato físico do aprisionado - um trato condenado por instâncias internacionais - e que não dou como provado por não ser devidamente investigado, mas a força opressora sobre todo um povo que luta por algo tão simples como ser ele mesmo. Leis convertidas em chicote de sete cordas, tribunais de excepção ao desconhecer o juiz natural, parlamentos que votaram já antes de se reunir, dirigentes que esvaziam a sua sombra a partir de uma vontade estrangeira... E tudo isso em nome de quê, se não é de um propósito despótico que no fim se consome, para desgraça de todos, numa fogueira de vaidades e domínio? Como é fácil protagonizar o comportamento contrário, a boa vontade, a amigável consideração pelo vizinho, o discurso correcto do que se quer entender. Que má digestão tem essa voracidade de terras e seres.
Se o século XXI nos há-de levar para fora do sismo que padecemos, os seus homens públicos e aqueles que os dirigem a partir da riqueza insidiosa e do poder oculto terão de seguir a política oposta de descer à rua, de compreender o meio e de entender de uma vez por todas que a sociedade não pode continuar a ser governada por uns comandos electrónicos que fingem panoramas deslumbrantes onde não existem mais que jogos festivos de luzes e retóricas falsificadoras da verdadeira realidade. Trata-se de regressar dos grandes horizontes carentes de humanidade aos territórios de vizinhança e modestos desejos de bem-estar.
Não nos digam repetidamente, com a consciência em muito mau estado, que a globalização, que torna inalcançável ao comum o controlo da sua vida, surge por si mesma como um mecanismo histórico irreprimível, como consequência das coisas mesmas. Nem globalização social, nem globalização política, nem globalização religiosa, nem globalização do saber, nem estados globalizados em si mesmos para ser colocados ao serviço dos grandes globalizadores. Ou a vida retorna ao côncavo concreto e modesto das nossas mãos ou essas mãos serão ungidas ao serviço de interesses bastardos, como já o são agora.
«Eskubide guztiak». Mas esses direitos hão-de ser os nossos direitos, os que dimanam das nossas forças possíveis e das nossas emoções mais íntimas. Os direitos não podem continuar a brotar das directrizes dos que bebem da grande cascata do poder, desde os que recebem a água com força até aos que se conformam com a colocação de uma flâmula universal numa gota ridícula e provinciana. O governo ou é autogoverno ou é opressão colonial. Penso ainda que o conjunto dos povos que forem capazes de viver para si mesmos serão bem capazes de construir uma grande estrutura universal. Não sei se é preciso ter muitas coisas, tê-las é que parece necessário. Nisso consiste a modernidade. Onde cada lar possuir a sua própria lareira para administrar o calor de que necessita há-de dar-se forçosamente o bem-estar colectivo. Pertencer a um grande império é mergulhar a liberdade no crime que sustenta os grandes interesses, sobretudo se estes interesses são governados por capatazes que manejam a mangueira por onde flui o combustível vital.
Antonio ALVAREZ-SOLÍS
jornalista
Fonte: Gara
Solidariedade com os jovens presos recentemente, em Durango

À marcha presidiu uma faixa em que se lia «Errepresioaren aurrean, gazteok borrokan» [Frente à repressão, os jovens em luta] e a lembrança dos 32 jovens que foram encarcerados na sequência da operação iniciada a 24 de Novembro por ordem do juiz do tribunal de excepção espanhol Fernando Grande-Marlaska.
Representantes de organizações juvenis da Irlanda, Finlândia, Noruega e Itália estiveram presentes numa marcha que também contou com o apoio da Gazte Abertzaleak e dos numerosas organizações sociais que subscreveram o manifesto «Gazte eta independentista: delitua»; entre elas, quase meia centena de organizações independentistas juvenis como o MAS, da Bolívia, ou a YCLSA, da África do Sul.
No acto político final, o último ataque judicial-policial «não conseguiu desfazer o trabalho da juventude basca, antes contribuindo para a juntar forças e dar uma resposta conjunta». «A estratégia empreendida contra nós voltou-se contra eles», afirmaram.
Os promotores disseram também que o Estado espanhol voltou a evidenciar que «vale tudo» contra o Movimento Juvenil Basco e que pôs em marcha a «máquina repressiva» enchendo as ruas de Euskal Herria com centenas de polícias, que entraram em gaztetxes, associações de moradores, bares e casas.
«Neste povo ser jovem e comprometido parece que é um delito. Construir alternativas paga-se com a prisão e trabalhar para mudar o modelo de sociedade dá-lhes legitimidade para torturar», referiram. Na sua opinião, o que conduziu à operação policial foi o facto de «terem medo». «A ideia de que nos juntemos mete-lhes medo, já que lhes falta coragem», insistiram.
«A nossa arma mais forte é a juventude e isso não se elimina com operações policiais. Viremos para a rua para que os nossos direitos civis e políticos sejam garantidos, e vamos continuar a trabalhar porque temos toda a legitimidade para levar a cabo o nosso projecto com inteira liberdade».
Julgam
ento relacionado com a operação de há dois anosUm grupo de jovens donostiarras detidos há dois anos acusados de pertencerem à Segi convocaram para o próximo sábado uma manifestação, cujo lema é «Euskal gazteria aurrera» [Viva a juventude basca], tendo em vista o julgamento, que se aproxima. A mobilização partirá às 17h30 do Boulevard de Donostia. Aitor Olaizola e Urko Labaka, dois dos 26 jovens que foram presos naquela operação policial, compareceram ontem perante a comunicação social, na companhia de outras pessoas detidas na altura, para informar que 18 deles enfrentam oito anos de prisão no julgamento que irá decorrer no tribunal de excepção espanhol.
Afirmaram que operação em que foram detidos visava «amedrontar a juventude basca» e que esse propósito «continua vivo hoje em dia», como o evidencia a última operação contra a juventude independentista. Disseram ainda que nestes dois anos houve mais de 150 jovens detidos, e dezenas de torturados. Perante esta situação, reivindicaram a legitimidade para defender todos os projectos políticos, incluindo o da independência.
Fonte: Gara
Ver também:
«A resposta à operação policial logra uma unidade juvenil poucas vezes vista»
http://www.gara.net/paperezkoa/20091205/170459/es/La-respuesta-redada-logra-una-unidad-juvenil-pocas-veces-vista
Sobre os acontecimentos de Leitza, no quartel, nos arredores e lá nos cafundós

"A Guarda Civil, a desempenhar funções de polícia judiciária, aventa a hipótese de que o agente ferido nos acontecimentos na madrugada de domingo passado em Leitza (Nafarroa) não estivesse sozinho e que o disparo no seu braço não seja consequência de uma auto-lesão, mas de algum tipo de rixa ou até de "brincadeira" entre camaradas de armas. Esta é uma das linhas de investigação que se mantêm abertas, segundo o Gara pôde apurar."
http://www.gara.net/paperezkoa/20091205/170493/es/Investigan-si-Leitza-hubo-una-reyerta-o-juego-entre-agentes
Numa nota de imprensa em que faz uma leitura dos acontecimentos de Leitza, a Esquerda Abertzale afirma que «a sociedade de Euskal Herria em geral e a navarra em particular têm assistido, atónitas, nestes últimos dias, a um espectáculo dantesco da benemérita e de políticos irresponsáveis. A manipulação intencional, a intoxicação e a falta de objectividade jornalística de que fizeram gala diversos meios de comunicação e representantes políticos é mais uma amostra, por parte de certos sectores, da falta de vontade para resolver o conflito.»
Texto na íntegra: «Leitura do que aconteceu em Leitza» http://www.ezkerabertzalea.info/irakurri.php?id=2803
Mobilizações pelos presos

No âmbito da 44.ª edição da Feira do Livro e do Disco Basco que está a decorrer em Durango (Durangoko Azoka), várias caras conhecidas da cultura basca mobilizaram-se ontem à tarde em defesa dos direitos dos presos e das presas políticas bascas. Estiveram presentes, entre muitos outros, Unai Iturriaga, Xumai Murua, Edorta Jimenez, Su ta Gar, Betagarri e Ken 7.
No acto, além da txalaparta, da música e da actuação de bertsolaris, um representante da Etxerat denunciou as últimas humilhações a que os familiares têm sido sujeitos nas prisões do Estado espanhol.
Para fazer frente a este tipo de situações, fizeram um apelo à a solidariedade e à mobilização, lembrando que a luta pelos presos e pelas presas não é uma coisa de um dia em concreto, mas de todos os dias.
Na quinta e na sexta-feira

Como acontece todas as sextas-feiras, houve diversas mobilizações em defesa dos direitos dos presos. Assim, em Lekeitio juntaram-se 120 pessoas, 74 em Algorta, 43 em Andoain, 129 em Ondarroa, 165 em Zarautz, 21 em Mundaka, 35 em Getaria, 51 em Lizarra, 25 em Legorreta, 125 em Bilbo, 35 em Amurrio, 45 em Deba, 36 em Barañain, 62 em Soraluze, 67 em Bergara, 35 em Lezo, 34 em Larraga, 20 em Usansolo, 72 em Lazkao, 200 em Orereta (contra as detenções dos jovens), 200 em Lekeitio (contra a condenação de habitantes da localidade), 20 em Bera, 35 em Arbizu, 66 em Etxarri-Aranatz, 185 em Donostia, 315 em Iruñea e 300 em Aulesti (também contra a condenação de habitantes da localidade).
Na quinta-feira, 40 pessoas concentraram-se em Zizur, 47 em Iturrama (Iruñea), 40 em Donibane (Iruñea), 53 em Burlata e 70 em Eibar.
Fonte: Gara e lahaine.org
PreSOS, repressão, solidariedade

Na sexta-feira, a Etxerat relatou perante a comunicação social diversas situações de «extrema gravidade» vividas pelos familiares e amigos dos presos políticos bascos nas últimas semanas, em virtude de os carcereiros os pretenderem inspeccionar fisicamente, e reiteraram que não se vão sujeitar a «semelhante humilhação». Na ocasião, José Cruz Coto, pai do preso Egoitz Coto, Lucía Mailo, mãe de Mikel Lizarribar, e Olga, mãe de Iñaki Peña, relataram as situações nada edificantes por que tiveram de passar em diversas prisões espanholas.
Por seu lado, os representantes da Etxerat Oihane Ozamiz e Natxi Aranburu fizeram questão de afirmar que não vão «ficar de braços cruzados» e aludiram ainda a situações extremas, como a de crianças a serem revistadas à força em Soto del Real.
Protestos nas prisões
Para denunciar esta situação, os presos políticos encarcerados em Huelva, Soto del Real, Curtis, Badajoz, Castelló, Dueñas, Foncalent-Mulheres, Segóvia e Valência III estão a empreender diversas formas de luta, como fechamentos nas celas e greves às comunicações, segundo fez saber o Movimento pró-Amnistia.
Notícia completa: Gara
Ibai Sueskun, tratado de forma degradante e violenta pelos gendarmes
O Movimento pró-Amnistia divulgou uma agressão ao preso Ibai Sueskun ocorrida em Outubro. O jovem navarro foi detido no dia 10 de Outubro com uma ferimento de bala na mão, e no dia 19 desse mês foi conduzido ao hospital para ser operado. Durante a transferência, levaram-no com os pés presos e no hospital permaneceu atado à cama, com a luz acesa e polícias armados entrando continuamente na sala, impedindo-o de dormir. No dia em que o operaram, levaram-no de volta para a prisão, à tarde, e Sueskun recusou-se a levar os pés acorrentados. Sentou-se no chão e os gendarmes ergueram-no violentamente, puxando-o pelas algemas que tinha colocadas na mão ferida e levando-o pelo ar.
Fonte: Gara

Como todos os anos, a Askatasuna organiza o Elkartasun Hilabetea em Ipar Euskal Herria [País Basco Norte], com um programa bem recheado de actividades variadas: concentrações em defesa dos direitos presos, concertos musicais, projecções de filmes, debates, peças de teatro, bertsos, etc. O Mês da Solidariedade iniciou-se em Hendaia no dia 27 de Novembro e termina em Ezpeleta no dia 19 deste mês. Pelo meio, a onda solidária já passou por Miarritze (4/12) e há-de chegar a Anauze (12/12) e a Ziburu (18/12). E no dia 25/12 o Olentzero vai distribuir presentes, claro. Desconfiamos que é capaz de trazer um outro saco bem cheio de carvão.
Fonte: baionaaskatu
Araitz Zubimendi dá entrada na prisão de Dueñas
A hernaniarra Araitz Zubimendi ingressou na prisão de Dueñas (Palência) com sua filha (que tem poucos meses de vida), para cumprir a pena de seis anos de prisão a que foi condenada pela Audiência Nacional espanhola. Zubimendi foi julgada no final de Outubro com mais quatro jovens independentistas pela sua actividade política nas organizações juvenis independentistas Haika e Segi. Os outros eram Zigor Ruiz (que foi detido em 2008) e Asier Tapia (em 2007), além de Garikoitz Mujika e Eneko Aizpurua, ambos encarcerados no último dia do julgamento. Todos eles foram condenados a seis anos.
Fonte: Gara
Acções de protesto contra a tortura, em Azpeitia e DonostiaEm Azpeitia (Gipuzkoa), 35 jovens de T-shirt vermelha, com a palavra «independentzia» estampada, juntaram-se ontem numa acção de protesto que visava chamar a atenção para os últimos casos denunciados de tortura. Para tal, apresentaram-se em frente à casa de um vereador do PSOE com um saco enfiado na cabeça e as mãos atadas atrás das costas.
Fonte: askatu.org

Notícias do Athletic, da Real e do Osasuna: «antifaxistak garelako!»

"Os adeptos radicais do Áustria de Viena converteram num espectáculo lamentável o que devia ter sido um acontecimento desportivo de máximo nível. O encontro do Athletic com os vienenses [a contar para a 5.ª jornada da Europa League] teve de ser suspenso durante quase meia hora em virtude dos graves incidentes que ocorreram no estádio."
http://www.gara.net/paperezkoa/20091204/170404/es/Todas-verguenzas-futbol-salen-escena-Austria-
«Ataque nazi em Viena...»
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/ataque-nazi-en-viena.html
«Áustria de Viena - Athletic»"Primeira acção organizada em que participam diversos grupos ultras nazi-fascistas da Europa. Ultras Sur (Real Madrid), Brigadas Blanquiazules (Espanyol), Fanatics (Áustria de Viena) e Ultras Lazio (Lazio)." [Esta notícia é actualizada em baixo.]
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/austria-de-viena-athletic.html
«O Áustria de Viena confirma a presença de ultras italianos contra o Athletic»
[É a notícia mais completa e actualizada.]
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/el-austria-de-viena-confirma-la.html
A Real Sociedad recorda Aitor Zabaleta, assassinado há 11 anosNo sábado, dia em que se disputava o dérbi entre a Real Sociedad e o Real Union, o pai e o irmão de Aitor Zabaleta, adepto da Real assassinado há 11 anos por um grupo ultra em Madrid, viveram uma tarde carregada de emoções no palco de Anoeta. Durante o intervalo, o Aitor foi homenageado pelos presidentes dos dois clubes guipuscoanos, que entregaram à família camisolas de ambas as equipas. Da parte da Real, equipa que jogava em casa, o conselheiro Joseba Ibarburu esteve sempre à disposição da família Zabaleta, de forma a que estivesse à vontade.
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/aitor-zabaleta-kortazar-11_05.html
A Lizarra Taldea, do Osasuna, faz 20 anosLizarra Antifaxista * E.H
No princípio, num Osasuna-Cádiz disputado em Novembro de 1989, a Lizarra Taldea contava com oito sócios, e agora é composta por 80, originários de várias localidades da zona de Lizarra (Nafarroa).
Recentemente, organizaram um concerto comemorativo e têm previstas mais actividades para esta temporada tão especial para eles. Zorionak!
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/zorionak-lizarra-antifaxista-beti.html
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
O diário «Le Monde» analisa o desaparecimento de Jon Anza e apresenta novos dados

«Une étrange disparition»
O artigo do Le Monde traduzido para euskara, na Kazeta.info
O Le Monde apresentou ontem à tarde na sua edição digital uma ampla reportagem sobre o donostiarra Jon Anza, desaparecido desde que no dia 18 de Abril apanhou um comboio em Baiona (Lapurdi) com destino a Toulouse, que hoje se publica na edição impressa.
Com o título «Une étrange disparition» (Um estranho desaparecimento), a jornalista Isabelle Mandraud começa por recordar que Jon Anza desapareceu «sem deixar rasto» e que «a organização independentista basca ETA, que figura na lista de organizações terroristas da UE, o reconheceu como um dos seus membros».
A jornalista afirma que os ecos do seu desaparecimento chegaram a Paris e que a 18 de Dezembro, dia em que se cumprem oito meses, se realizará uma concentração na capital francesa.
Para elaborar a reportagem, falou com a companheira de Anza, com a advogada da família e com a Askatasuna. Também reúne as declarações da procuradora de Baiona e da Polícia francesa.
Além de abordar as principais notícias em torno do desaparecimento do militante basco, o diário parisiense apresenta novos dados, como o facto de os detalhes referidos pela ETA no comunicado em que deu conta da militância de Anza terem causado «surpresa» no seio da Polícia francesa. Com base nessa nota, segundo indica, a Polícia procedeu a algumas diligências que confirmaram a informação avançada pela organização armada basca.
Para além disso, revela que a Polícia «vigiava de vez em quando» o donostiarra e que pensava que este estava «fora do circuito» em virtude do cancro que lhe tinha sido diagnosticado.
A procuradora de Baiona, Anne Kayanakis, assegura no artigo que «a Polícia nem finge que o procura» e que está «verdadeiramente perplexa» porque os resultados da investigação não lançaram nenhuma luz sobre os acontecimentos.
A procuradora pediu colaboração à justiça espanhola
A reportagem também menciona a informação publicada pelo Gara no dia 2 de Outubro, em que se referia que Anza teria sido interceptado por polícias espanhóis quando ia no comboio e teria morrido durante os interrogatórios a que foi submetido.
A esse respeito, o Le Monde afirma que, depois de ter conhecimento disso, a procuradora solicitou a colaboração da justiça espanhola através da embaixada francesa.
A pista sobre o sequestro de Mujika aponta para «quatro telefones espanhóis»
No último parágrafo, o artigo refere-se ao sequestro do ataundarra Juan Mari Mujika, há um ano. Recorda que a investigação continua em aberto e que a principal pista conduz a «quatro telemóveis espanhóis».
Fonte: Gara
Álibi judicial para a impunidade policial

Grande-Marlaska tinha recebido a notificação de que a jovem estava disposta a prestar declarações e citou-a em sede judicial. Apesar disso, não hesitou em permitir que a Guarda Civil a interceptasse e sujeitasse à incomunicação, reiterando a sua recusa ao anteriormente mencionado protocolo e deixando que acontecesse o que a jovem veio depois denunciar, após a sua passagem pelos calabouços. Apesar da vontade expressa por Bakedano de prestar declarações, quando já outros imputados tinham sido presentes ao juiz nos dias anteriores, e enquanto recebia outros dois jovens que se tinham apresentado voluntariamente, Marlaska insistiu em manter o regime de incomunicação a Bakedano, deixando bem vincado qual é o verdadeiro e último fim desta prática, que não é seguramente investigar nem interrogar.
Ainara Bakedano é asmática. Denunciou ter sido sujeita, entre outras formas de violência física e verbal, à prática do «saco». Não é difícil imaginar porquê. Enquanto o Estado espanhol continuar a tolerar, quando a não a alimentar, a prática do regime de incomunicação nas detenções, crescerá a convicção, que já cruza fronteiras, de que a investigação policial não é mais do que o álibi que esconde a impunidade.
Fonte: Gara
Bakedano denuncia torturas e Marlaska dá-lhe ordem de prisão

O Movimento pró-Amnistia fez saber ontem que Ainara Bakedano foi torturada pela Guarda Civil durante o tempo que permaneceu nas instalações policiais. A jovem navarra foi presa na quarta-feira ao meio-dia, em Madrid, a 50 metros da Audiência Nacional espanhola, quando se preparava para comparecer voluntariamente perante o juiz Fernando Grande-Marlaska. Depois de ser detida, foi-lhe aplicado o regime de incomunicação, situação em que permaneceu até poucos minutos antes de ser levada à presença do juiz do tribunal ex-TOP.
Bakedano afirmou que, durante a noite que passou na esquadra, foi torturada, mas, depois de a ouvir, Marlaska mandou-a para a prisão. No dia anterior, a defesa da jovem navarra tinha pedido ao juiz que aplicasse o protocolo contra a tortura, solicitação a que fez ouvidos moucos.
O Movimento pró-Amnistia especificou que Bakedano relatou perante o juiz que lhe tinham enfiado um saco na cabeça, até quase não poder respirar - sofre de asma -, que tinha sido agredida e que foi ameaçada pelos agentes da Guarda Civil. O organismo anti-repressivo denunciou «o silêncio» que muitas organizações e partidos políticos de Euskal Herria mantiveram perante os últimos casos de tortura e acrescentou que aquilo que se passou com Bakedano deixou às claras o objectivo que se persegue com o regime de incomunicação.
No auto que ontem foi tornado público, e no qual se dava ordem de prisão à jovem, Marlaska afirma que Bakedano faz parte da direcção da Segi, organização que descreve como «uma autêntica academia terrorista». Tal como fez aos 31 jovens independentistas encarcerados na semana passada, acusa-a de «integração em organização terrorista».
Outros três jovens - Maitane Fernández, Mikel Fernández e Rubén Sanz – tiveram de comparecer ontem perante o mesmo juiz, saindo em liberdade provisional e sem nenhuma medida cautelar. No entanto, foi-lhes lembrada a obrigação de comparecer quando forem notificados.
Novas mobilizações
O sindicato estudantil Ikasle Abertzaleak tinha convocado para ontem uma jornada de mobilizações em centros educativos e campus universitários, para denunciar a operação policial contra os jovens independentistas ocorrida na semana passada e os maus tratos sofridos por muitos dos detidos durante a sua passagem pelas instalações policiais.

Na manifestação realizada no bairro bilbaíno de Deustua reuniram-se dezenas de jovens, seguindo uma faixa em que se lia «Ikasleok sistema eta errepresioaren aurrean, ekin dezagun batera» [Os estudantes frente ao sistema e à repressão, trabalhemos juntos].
Representantes do IA anunciaram na terça-feira passada a sua adesão ao manifesto «Gazteok batera!» apresentado depois das Gazte Topaketak, levadas a cabo no fim-de-semana em Zestoa (Gipuzkoa), e às iniciativas avançadas com o propósito de que o movimento juvenil basco responda conjuntamente à última operação.
Projectos comunicativos juvenis como a Gaztesarea, KKinzona de Urretxu-Zumarraga, Lurraska de Barañain, os programas radiofónicos Gazte Zaparrada de Ipar Euskal Herria e Irauli Uhinak e várias gazte asanbladak [assembleias juvenis] também deram o seu apoio a estas dinâmicas.
Para além disso, a Gazte Abertzaleak, organização juvenil do Eusko Alkartasuna, anunciou que apoia a manifestação que diversas organizações juvenis convocaram para amanhã em Durango. Referiram que vão enviar uma delegação à conferência de imprensa que terá lugar hoje em Donostia para apresentar a mobilização.
A Gazte Abertzaleak sublinhou que «vai realizar todos os esforços necessários para actuar conjuntamente desde as vias civis e políticas» porque «estamos a apostar muito enquanto povo».
Manex ALTUNA
Fonte: Gara
So
bre a operação contra os jovens independentistas, ver também:«Marlaska desvela o uso do sinal do telemóvel nos seguimentos», de Iñaki IRIONDO
O último auto do juiz Fernando Grande-Marlaska, em que se decretou o encarceramento dos jovens independentistas, confirmou o uso dos telefones móveis no seguimento destas pessoas; uma utilização de duvidosa legalidade, de acordo com a normativa vigente. No documento judicial refere-se que certos jovens não puderam ser seguidos durante três dias, em Julho de 2009, porque deixaram os seus telefones em casa.
http://www.gara.net/paperezkoa/20091202/169923/es/Marlaska-desvela-empleo-senal-movil-seguimientos
1512: divulgar a verdadeira história e não a que os conquistadores venderam
Apresentação, em Iruñea, da obra Konkistak, 500 urte. Deuseztatu ezin izan duten oiromena [500 anos de Conquista. A Memória que não Conseguiram Destruir]. Fonte: apurtu.org
Sobre a apresentação da obra referida, em Iruñea, e sobre a apresentação do DVD 1512, La conquista de Navarra, em Donostia, ver também «Os municípios bascos envolvem-se na divulgação da verdade sobre 1512», de Ramón Sola e Oihane Larretxea, em Gara
Nafarroaren Eguna: uma só festividade e duas formas radicalmente opostas de a comemorar
Poucos dias há no ano que espelhem tão bem a realidade navarra como o 3 de Dezembro, festividade de Francisco de Xabier. Os actos a cargo do Governo da UPN e os que foram organizados pela Orreaga Fundazioa revelaram o antagonismo entre a Nafarroa oficial e a popular, entre a que está submetida a Madrid e a que resiste à assimilação.
O Governo da UPN em peso levou o arcebispo espanhol Francisco Pérez até ao Castelo de Xabier para celebrar uma missa em honra do co-patrono de Nafarroa. A Fundación Orreaga trouxe a Iruñea dois bertsolaris baixo-navarros, Laka e o filho de Xalbador, que evocaram nos seus cantos o carácter euskaldun de Xabier e de toda a sua família.
Com fundos públicos, o Executivo de Sanz pagou a numerosos coros e grupos folclóricos de casas regionais para actuarem em diversas localidades, quase tudo em castelhano. Com os seus próprios fundos, já que lhe recusam os subsídios, a Orreaga teve a colaboração desinteressada de vários coros para cantar junto ao Monumento aos Foros em Iruñea, tudo em euskara.
Depois da celebração religiosa no Castelo de Xabier com o arcebispo que deu a bênção à apropriação de centenas de monumentos do património público navarro, Miguel Sanz e os seus conselheiros regressaram nos seus carros oficiais a brilhar para celebrar no pátio isabelino da sede do Departamento da Cultura e Turismo o acto de maior significado: a entrega da Medalha de Ouro de Nafarroa à UAGN e à UCAN.
Depois de uma animada kalejira pelas ruas da Parte Antiga de Iruñea, com a participação de quase mil pessoas, que acompanharam os ihoaldunak, grupos de dantzas, fanfarres e trikitilaris, a Orreaga realizou um acto simples no Paseo de Sarasate e cedeu a leitura do pregão a Mikel Alzuart, membro da EHNE, sindicato para o qual não há medalhas oficiais por não alinhar ideologicamente com a UPN e/ou o PSN.
O próprio Alzuart, com a sua pronúncia baztandarra, resumiu esta dualidade dizendo que «em Nafarroa a crise mais fundamental é histórica e identitária, e sofremo-la e temos vindo a arrastá-la há muito tempo».
Mas também falou da «crise democrática, porque nos recusam o direito a decidir»; da «crise do modelo socioeconómico, que afunda o sector primário e desestrutura o tecido industrial», e da «crise cultural, com a cultura basca e o euskara constantemente ameaçados».
Essa dicotomia entre as «duas Navarras» também se reflectiu na simbologia. Ambas fizeram ondear nas suas cerimónias a bandeira com o escudo das correntes, mas o Governo da UPN fê-la acompanhar da espanhola, enquanto a Orreaga a fundiu com a ikurriña e o Arrano Beltza.
A explicação para esta realidade tão contrastante foi dada por Patxi Abasolo e María Luisa Mangado, membros da iniciativa 1512-2012 Nafarroa bizirik!. Ambos participaram no acto da Orreaga para apresentar o livro 500 años de conquista. La memoria que no pudieron destruir. «Este pequeno grande livro desmonta as mentiras que nos quiseram fazer engolir. Nestes cinco séculos – realçaram – aprendemos que dominação e mentira andam de mão dada».
O acto da Orreaga finalizou com os irrintzis de Karmele Galartza e a interpretação a cargo de Enrike Zelaia do «Gu gaurko euskaldunak» (2), frase do Monumento aos Foros que recolhe o sentir da Nafarroa não oficial.
Iñaki VIGOR
Fonte: Gara
(1) EHNE: Euskal Herriko Nekazarien Elkartea (Sindicato de agricultores)
(2) Nós, os bascos de hoje
Nafarroaren Eguna. Iruñea, Sarasate pasealekuan. Abenduak 3 de Dezembro. Fonte: http://nafarroan.com/
Gora Nafarroa! Gora Euskal Herria!
Azaroaren Laburpena / Resumo de Novembro da Ekinklik
Azaroaren Laburpena
by ekinklikorg
Resumo fotográfico de alguns dos acontecimentos relevantes ocorridos durante o mês de Novembro em Euskal Herria, da autoria do colectivo de fotografia navarro ekinklik.org, que entende a fotografia como uma forma de activismo contra o sistema.
A Praça Conde de Rodezno e o forte de Ezkaba, na rota do Autocarro da Memória
«Políticos e militares implicados no fascismo e na violação de direitos humanos não podem ter nenhum espaço de reconhecimento público na nossa cidade». Este é o argumento que defendem as associações que impulsionam o Autocarro da Memória para exigir que se mude o nome da Praça Conde de Rodezno, em Iruñea.
Ahaztuak, Eguzki Bideoak, El Pueblo de las Viudas, a Hormiga Atómica, Memoriaren Bideak, Psicólogos sin Fronteras e Txinparta são as associações que promovem esta mudança de denominação. Em seu nome, Carlos Martínez denunciou a atitude de Yolanda Barcina pelas «artimanhas legais» a que recorreu para manter o nome desta praça.
«Transformou o homem num genérico, Condado de Rodezno, que continua a homenagear Tomás Domínguez Arévalo, ministro da Justiça de um Governo golpista e responsável pelo assassínio de dezenas de milhares de pessoas», afirmou.
Carlos Otxoa, por seu lado, recordou que a maioria do Município de Iruñea pediu a mudança de denominação da praça, e neste sentido acusou a autarca de «fraude de lei» por manter o nome.
O Autocarro da Memória vai iniciar agora uma campanha de recolha de assinaturas para pedir que se suprima a referência ao Conde de Rodezno. A sua proposta é que a nova denominação da praça seja Fuga del fuerte de Ezkaba, mas deixam claro que estão abertos a outras sugestões.
«Ocultação» em Ezkaba
Relativamente a este forte, Carlos Otxoa informou que apresentaram no Município de Berriobeiti um documento em que denunciam a «tentativa», por parte do Ministério da Defesa espanhol, de «ocultar» que foi um grande presídio franquista.
Em concreto, disse que eram obrigatórias tanto a licença da obra para poder modificar a estrutura do forte como a autorização do Príncipe de Viana, «por se tratar de um edifício de interesse cultural», e acusou o Ministério de «ilegalidade» por não cumprir esses requisitos.
«Com a desculpa de irem fazer uns trabalhos de limpeza e desbaste, o que realmente fizeram - informou Carlos Otxoa – foi destruir os muros que se ergueram precisamente para que o forte cumprisse a função de centro penitenciário».
Por isso, pedem ao Município de Berriobeiti que proceda à avaliação daquilo que foi feito e que se solicite «a reparação do que foi destruído e sejam impostas as devidas sanções».
Iñaki VIGOR
Fonte: Gara
quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Mikel Laboa - «Haika mutil»
"Haika mutil, jeiki hadi / argia den mira hadi." / - Bai, nausia, argia da, / gur oilarra kanpoan da. / "Haika mutil, jeiki hadi / argia den mira hadi."
"Haika mutil, jeiki hadi / surik baden mira hadi." / - Bai, nausia, sua bada, / gur gatoa beroa da. / "Haika mutil, jeiki hadi / surik baden mira hadi."
"Haika mutil, jeiki hadi / hortxet zer den mira hadi." / - Bai, nausia, haizea da, / gur leihoa ideki da. / "Haika mutil, jeiki hadi / hortxet zer den mira hadi."
"Haika mutil, jeiki hadi / kanpoan zer den mira hadi." / - Bai, nausia, elurra da, / lurra xuriz estali da. / "Haika mutil, jeiki hadi / kanpoan zer den mira hadi."
"Haika mutil, jeiki hadi / zer oinon den mira hadi." / - Bai, nausia, egia da, / mutiltto hau unatu da. / "Haika mutil, jeiki hadi / zer oinon den mira hadi."
-
"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / se houver luz, olha com atenção." / - Sim, chefe, há luz, / o nosso galo está lá fora.
"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / se houver lume, olha com atenção." / - Sim, chefe, há lume, / o nosso gato está quente.
"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / o que se passa ali, olha com atenção." / - Sim, chefe, é o vento, / a nossa janela está aberta.
"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / que se passa lá fora, olha com atenção." / - Sim, chefe, há neve, / a terra está coberta de branco.
" Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / que bom augúrio, olha com atenção." / - Sim, chefe, é verdade, / este rapazito está cansado.
Tradução do euskara a partir de http://eu.musikazblai.com/mikel-laboa/haika-mutil/
Nota 1: são apenas apresentadas as estrofes correspondentes a esta versão - maravilhosa. Já encontrámos versões com mais duas estrofes, interpretadas tanto pelo autor da letra, Mikel Laboa, como pelos SU TA GAR.
Nota 2: aqui na ASEH bem sabemos que hoje é o Euskararen Nazioarteko Eguna / Dia Internacional do Euskara. Do nosso ponto de vista, para além do facto de nos associarmos a todos aqueles que falam, amam e defendem a língua basca e, por isso, sentem de alguma forma este dia como festivo, motivo de celebração, não achamos que haja nada a comemorar neste dia em particular - até porque os «dias de alguma coisa» parecem estar muitas vezes ao serviço da boa consciência imobilista. O desafio, pensamos nós - e sabê-lo-ão melhor os euskaldunes e euskaltzales, seguramente -, é fazer com que todos os dias sejam dias do euskara, normais, normalizados, e, para tal, por agora, tem de ser travada uma luta de todos os dias e não de um só dia, falando, amando, defendendo a língua. Pese embora tudo o que se conquistou, as três principais frentes de luta, quer-nos parecer, permanecem duríssimas. Euskaraz bai. Bai euskarari. Mila esker horrela izateagatik, bai.
Osasuna ta askatasuna.
Besarkada bat, musu bat guztioi eta ondo Segi.
Falam os familiares dos jovens detidos. Solidariedade face ao muro do regime de incomunicação

Impotência, raiva e dor são os sentimentos comuns vividos pelos familiares dos trinta e quatro jovens presos na semana passada. Acima de todas as sensações, destacam a de impotência, porque dizem que no Estado espanhol «regime de incomunicação» é sinónimo de tortura e maus tratos. «A incerteza em que mergulhamos nesses dias faz com que nos sintamos frágeis e impotentes», afirma Miguel Eskiroz, pai do donostiarra Mikel Eskiroz. Descreve os primeiros momentos «como uma alucinação», pois demora algum tempo até que a mente assimile realmente o que se está a passar: «O nosso filho foi detido em Iruñea, partilha ali um andar com outros três jovens. Por volta das cinco da manhã, um dos seus amigos ligou-nos a contar o que tinha acontecido. Sentimo-nos atordoados até que reagimos», relata o pai. Diz que depois de receber a chamada suspeitaram de que a Polícia pudesse aparecer em casa, e assim foi: «Eu e a minha mulher já estávamos mais ou menos à espera deles, e, quando vimos que uma pipa de carros parava em frente ao nosso portão, as nossas suspeitas confirmaram-se».
«Quando Mikel entrou em casa - prossegue - vimo-lo determinado, embora nervoso. Apesar de termos sido tratados com mais ou menos correcção durante a inspecção, não me deixaram falar com ele em momento algum. À mínima palavra que pronunciássemos, berravam connosco dizendo que nos calássemos».
No caso de Aitziber Arrieta, moradora na Parte Velha donostiarra, a jovem esteve sozinha durante as horas que a inspecção durou. A sua mãe, Belén, ainda com o susto no corpo, relata aqueles momentos repletos de angústia: «O meu marido, Iñaki, e eu estávamos a tomar algo na rua quando uma pessoa conhecida nos alertou para o que se estava passar na nossa casa. Fomos a correr para casa para estar com a Aitziber e presenciar a inspecção, mas impediram-nos o acesso». Belén conta que lhes viraram a casa «do avesso», ainda que «isso seja o que menos importa», e que até os vasos na varanda foram remexidos em busca de qualquer coisa.
Para a família de Maialen Eldua a inspecção foi bastante violenta no início: «A Polícia Nacional chegou a casa por volta das 2h da madrugada e, ao abrir a porta, apontaram-nos uma pistola», conta Izaskun Azkarate, mãe de Maialen. «Apontaram-nos uma lanterna e ordenaram-nos que nos enfiássemos numa divisão da casa enquanto um polícia nos vigiava e os outros inspeccionavam. Assim, não nos deixaram estar com a Maialen, embora ela nos dissesse de vez em quando "ama, ondo nago" [mãe, estou bem] para nos tranquilizar», conclui.
«Trataram-nos como cães»
Iñaki Elkano, pai da jovem detida Amaia Elkano, afirma que a violência e a força são as armas que a Polícia utiliza nestes casos para assustar e pressionar: «A minha mulher e a minha filha mais nova sofreram um ataque de ansiedade durante a inspecção. A primeira coisa que a Polícia fez foi fechar todas as janelas, aumentando a sensação de sufoco», descreve. Depois das inspecções efectuadas em diversos pontos de toda Euskal Herria todos os detidos foram levados para Madrid, dando início ao período de incomunicação.
Com a transferência dos jovens para a capital espanhola, a maioria dos familiares e amigos decidiu meter-se num carro e tomar também eles o caminho de Madrid, ficando próximos da Audiência Nacional. Durante os dias correspondentes ao período de incomunicação, absolutamente nada foi dito aos familiares, intensificando ainda mais a incerteza. «Trataram-nos como cães; para além de estar na rua à espera durante longas, intermináveis horas, não nos deixavam estar em frente à Audiência Nacional, ali também não nos era permitido estar», conta Itziar Urra, irmã de Garbiñe Urra. «Ordenaram-nos que nos afastássemos, obrigando-nos a ir para a Praça de Colón. Na quinta-feira - prossegue -, vendo que éramos quase cem pessoas, vários polícias dispersaram-nos e chegaram a identificar uma jovem».
Durante aqueles dias em que os familiares não puderam fazer mais que esperar, todos concordam relativamente à forte rede de solidariedade, apoio e compreensão que se estabeleceu entre todos os familiares e amigos: «Era uma situação comum, todos os que ali estavam passavam pelo mesmo, e esse sentimento geral fez com que se criassem pequenas redes de união, formando uma só, forte e sólida», descreve Iñaki Egaña, pai de Ehiar Egaña. E acrescenta que essas «pequenas redes» se juntam à de fora, ou seja, ao apoio e carinho que chegam do exterior. «Essa é minha leitura geral», conclui.
Com uma visão mais fria da situação, todas as mães e pais agradeciam às pessoas conhecidas, aos anónimos, a todas aquelas pessoas que se dedicaram sem pensar duas vezes: «O Iñaki e eu estamos encantados com a gente da Parte Velha donostiarra; jamais imaginámos a reacção que os vizinhos tiveram, os chefes, até gente que conhecemos só de vista, que vem e nos manda um abraço para a Aitziber. Não temos palavras para agradecer o calor de todos eles», narra Belén.
«Nós não fomos até Madrid enquanto durou o período de incomunicação - diz ainda -, já que nos disseram que aqui nos sentiríamos mais aconchegados, e assim foi». Iñaki Egaña ressalta, por outro lado, que «há gente boa em todos os lados»: «É verdade que vamos a Madrid com raiva, mas nesta ocasião uma família que não conhecíamos de lugar nenhum acolheu-nos em sua casa juntamente com a mãe de Oier Ibarguren e ajudaram-nos em tudo o que puderam e é justo agradecer-lhes o gesto que tiveram connosco».
Os familiares também sublinharam a ajuda recebida por parte dos advogados, que fizeram também de psicólogos, segundo Miguel Eskiroz. Dizem que os advogados se envolveram «em todos os sentidos», mantendo o telefone disponível a qualquer hora, atendendo as chamadas sem qualquer problema e tratando-os de forma «muito humana».
O orgul
ho de cada casa«Dissemo-lo na conferência de imprensa em Usurbil e voltamos dizê-lo agora: estamos muito orgulhosos dos nossos filhos e filhas», insiste Izaskun Azkarate. «São jovens trabalhadores, lutadores, com as suas ideias, as suas inquietudes, não são ladrões, mas jovens com vontade de mudar as coisas», acrescenta.
Cada vez são mais os jovens detidos com estudos, trabalhos e que estão a realizar cursos universitários «e isso é algo que magoa», opina Iñaki Elkano. «Amaia está no 4.º ano do curso, fez um exame na segunda-feira e passou, gosta do que faz, quer formar-se, estudar e aprender, como os restantes jovens». Itziar Urra relata uma situação muito semelhante, já que Garbiñe tinha começado agora os estudos de Educação Infantil e não sabe o que vai ser do seu curso agora. O jovem Xumai Matxain, que hoje cumpre 21 anos, transmitiu a mesma preocupação ao seu aita [pai], Josetxo: «E o meu curso de electricista?». «Foi o que o meu filho me perguntou, e agora tenho de me informar sobre procedimentos a seguir para que possa continuar a estudar». «Olha, digo-o alto e claro, nestes dias vivemos muitas coisas muito intensas e só cheguei a uma conclusão: agora mais que nunca estou mais convencido das minhas ideias e das da minha filha. Não nos vão conseguir parar e muito menos cortar as asas a uns jovens que querem voar», conta Elkano.
No fim-de-semana passado e depois de vários dias sem saber nada deles, os familiares puderam reencontrar os seus filhos e filhas nas visitas que lhes foram concedidas na cadeia. A maioria quer esquecer o que viveu durante os dias do regime de incomunicação e prefere, por agora, não contar o que sofreu. «Disse-nos que não estava preparada e que mais lá para a frente nos contará o inferno por que passou: em apenas quatro dias perdeu seis quilos», relata Egaña, acrescentando que com o passar dos dias os sentimentos se vão orientando: «A vida tem altos e baixos, mas vamos olhar sempre em frente».
Oihane LARRETXEA
Reuniões com o Defensor do Povo e o Ararteko
«Se os outros são vítimas, nós também o somos», salientaram as mães e os pais, outros familiares e amigos dos detidos. Para reclamar «os direitos que lhes assistem» e tentar acabar com o regime de incomunicação, familiares dos detidos em Nafarroa dirigiram-se na semana passada ao Defensor do Povo: «Disseram-nos que naquele momento não nos podiam receber, já que os encontros são marcados com antecedência», conta Itziar Urra. «Entregámos à secretária um dossier em que lhe transmitimos as nossas preocupações - acrescenta - juntamente com o relatório publicado com base nas detenções que ocorreram há um ano em Iruñerria [comarca de Pamplona] e no qual os detidos denunciaram ter sofrido maus tratos e torturas». Para além disso, entregaram-lhe dois dossiers recém-publicados, um pela ONU e outro pela Amnistia Internacional, que há pouco se pronunciaram sobre a tortura que é praticada no Estado espanhol. «Insistimos na forma de actuar tanto da Guarda Civil como da Polícia Nacional». «Aceitaram-nos os elementos, pelo que esperamos que nos recebam no seu gabinete em breve», conclui Urra. Por outro lado, o Torturaren Aurkako Taldea (TAT) tem agendada para hoje uma reunião com o Ararteko, na qual porão em cima da mesa as últimas denúncias dos detidos. O.L.
Fonte: Gara
Jose Mari Esparza: «Há condições para a mudança»
Jose Mari Esparza analisa, de forma breve, as condições propícias que Euskal Herria possui para dar início a um novo ciclo político e pôr em prática uma mudança de cenário, estabelecendo uma analogia com diversos acontecimentos históricos.
Contra a repressão e os julgamentos políticos, manifestação em Iruñea, a 12 de Dezembro
Embora a conferência de imprensa visasse inicialmente a abordagem dos julgamentos de jovens independentistas bascos que vão decorrer nas próximas semanas e anunciar a manifestação que terá lugar no próximo dia 12 de Dezembro em Iruñea [Pamplona], as detenções e as inspecções que ocorreram na semana passada obrigaram os promotores do acto a fazer uma avaliação mais profunda destes acontecimentos.
Assim, salientaram que desde que nos anos 90 o Estado espanhol, em colaboração com a Audiência Nacional, iniciou uma perseguição à juventude basca, já houve milhares de jovens presos, submetidos ao regime de incomunicação, torturados e encarcerados, sendo depois alguns deles condenados a longas penas de prisão. Abordaram a época em que se falava dos «grupos Y», as operações policiais de carácter preventivo, assim como as últimas operações policiais contra jovens acusados de militar na Segi.
Salientaram o facto de estas estratégias repressivas e todas as operações policiais terem uma série de aspectos em comum: o recurso à tortura "como forma de alcançar provas", o recurso "abusivo" à prisão preventiva e a imposição grandes fianças "como chantagem económica".
O papel desempenhado pela comunicação social também é motivo de crítica: "todas estas estratégias são acompanhadas pela propaganda de guerra que o Ministério do Interior leva a cabo, com a colaboração de muitos meios de comunicação. Não existe presunção de inocência, não existe crítica jornalística ao esquema repressivo já conhecido e totalmente caduco. É o novo NO-DO do Estado espanhol. Depois, quando muitas destas pessoas são libertas e absolvidas, ninguém se responsabiliza pelo que aconteceu.
Destacaram ainda o facto de estas "estratégias repressivas contra a juventude" terem sido lançadas em fases em que a Esquerda Abertzale estabelecia as bases para avançar na resolução democrática do conflito. "Aconteceu antes de Lizarra Garazi, aconteceu antes do último processo de negociação e volta a ocorrer quando estamos às portas de algo que trouxe esperança a uma grande parte da sociedade basca", afirmaram. "Estas operações procuram aniquilar as esperanças do Povo Basco, são um ataque a toda Euskal Herria. Sabem que a juventude é o sector mais combativo desta sociedade e daí a obsessão repressiva que incide sobre ela."Ver, na sequência: «Denunciam o regime de incomunicação e a tortura» e «Manifestação no dia 12 de Dezembro»
Os promotores desejam que a manifestação seja "um encontro inesquecível para todas as pessoas comprometidas com os direitos civis e políticos e que anseiam por um futuro em paz e liberdade". A manifestação partirá da Estação de autocarros de Iruñea [Pamplona], às 17h, e terá como lema "Torturarik ez, Epaiketa Politikorik ez, Si al posible desarrollo de todos los proyectos políticos" [Não à tortura, Não aos julgamentos políticos].
Notícia completa: apurtu.org
Hatortxurock 11: o festival muda de localização
quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
Arnaldo Otegi: «A esquerda 'abertzale' não nasceu para resistir. Nascemos para vencer»
Fonte: kaosenlared.net
Ainara Bakedano foi detida pela Guarda Civil à entrada da AN e encontra-se em regime de incomunicação

Guardas civis situados nas imediações da AN espanhola detiveram esta jovem navarra quando tentava aceder ao tribunal de excepção. Tinha sido emitido um mandado de busca e captura contra ela na terça-feira da semana passada, dia em que a Guarda Civil se deslocou a sua casa para a deter, mas sem a encontrar. Já outros dois jovens navarros que a acompanhavam puderam comparecer perante o juiz.
Ainara Bakedano foi detida mesmo à porta da Audiência Nacional espanhola quando se dirigia para o tribunal. Sobre a jovem de Zizur pendia um mandado de busca e captura desde o dia 24. Foi detida por agentes da Guarda Civil, que lhe disseram que se encontrava sob regime de incomunicação. Outras duas pessoas que iam com ela nem sequer foram identificadas e puderam aceder ao tribunal de excepção. Um deles, Ruben Sanz, recebeu ordens para comparecer amanhã, enquanto o outro pôde seguir em liberdade sem qualquer tipo de restrições. A Apurtu.org pôs-se em contacto com a advogada de Ainara Bakedano, e esta confirmou que a jovem se encontra em regime de incomunicação. Agora será o juiz a decidir se essa situação se mantém, facto que, para a advogada, carece de toda a lógica legal, tendo em conta que Bakedano ia comparecer voluntariamente perante o juiz. Segundo disse a advogada da jovem navarra, «dirigiram-se directamente a ela, sem sequer identificar os que a acompanhavam».
Convém recordar que, no âmbito da operação policial contra a juventude basca que ocorreu na madrugada de segunda para terça-feira, foram detidas e encarceradas mais de 30 pessoas e que foram muitas as denúncias de tortura e maus tratos.
Fonte: apurtu.org
Joana Regueiro sairá hoje em liberdade
O Movimento pró-Amnistia fez saber que a presa política bilbotarra Joana Regueiro sairá hoje da prisão de Villabona, tendo para tal de pagar uma fiança de 30 000 euros.
Regueiro foi presa pela Polícia espanhola no dia 4 de Outubro em Segura (Gipuzkoa), no âmbito de uma operação contra a esquerda abertzale.
Durante os dois anos de encarceramento, passou, entre outras, pelas prisões de Soto, Brieva, Villabona e Alcalá.
Joana sai em liberdade e larga 30 000 euros, o que nos traz à memória o caso recente de Patxi Urrutia, até porque, como ele, Joana é uma das pessoas que o juiz do «entramado» vai julgar, no âmbito do processo político 4/08, que ontem ficou pronto para julgamento.
A ver se percebemos: sai-se da cadeia, larga-se 30 000 euros e fica-se logo à porta. Cheira mal.
Fontes: Gara e askatu.org
É preciso voltar a cantar para o mundo

Há uma passagem na obra de José Antonio Agirre De Gernika a Nueva York pasando por Berlín que continua a emocionar-me: «Estando eu em Santander, três dias antes da sua queda, esqueci por um momento as amarguras que estávamos a viver, chamando um músico basco notável, falei-lhe assim: 'É possível que nós não consigamos sair daqui mas a luta não há-de acabar por isso. Peço-lhe que vá imediatamente para França e forme entre os nossos refugiados o coro mais selecto possível que leve pelo mundo, através das nossas melodias, a lembrança de um povo que morre pela liberdade, porque no estrangeiro ainda não sabem que se luta por ela'».
Estes dias são também de profunda angústia na Euskal Herria de hoje, a que não morreu em 39, embora muitos tenham chegado a crer no falso certificado de óbito que Franco e os seus sequazes assinaram. E também hoje é preciso sair para o estrangeiro e cantar e contar que a luta pela liberdade não pode ser punida por tribunais que se pretendem neutrais, que as nações que se sentem livres não podem colaborar com a opressão sobre as que aspiram a essa mesma liberdade.
Hoje, como naqueles angustiosos dias de 1937, temos de voltar a cantar para o mundo - e para muitos dos nossos próprios compatriotas - para dar a conhecer as atrocidades que padecemos pelo mero facto de reclamar o mesmo que os restantes povos do mundo inteiro. Nem mais nem menos.
Cantaremos, pois, perante o concerto das nações e cantaremos com orgulho «Gu gira Euskadiko gazteri berria» [Nós somos a nova juventude do País Basco]. Porque, que ninguém o ponha em causa, da árvore mutilada surgem sempre novos rebentos. Mais fortes que os podados, sem dúvida.
Martin GARITANO
Fonte: Gara
Madrid fixa um novo recorde de presos políticos depois da última operação: 762
A operação da semana passada, ordenada pelo juiz Fernando Grande-Marlaska contra jovens independentistas bascos, não só foi uma das maiores dos últimos anos como ainda possibilitou o estabelecimento de um novo recorde de prisioneiros políticos bascos: 762. Esta cifra só foi superada na época franquista, quando, por exemplo, se atingiram os 860 com os estados de excepção declarados no final de 1969.
Nos últimos anos, jamais se tinha verificado uma operação com tantos encarceramentos de uma assentada. Num fim-de-semana, a Audiência Nacional espanhola deu ordem de prisão a 31 jovens, sob a acusação de militarem na organização juvenil Segi.
Esse número veio engordar a lista do Colectivo de Presos Políticos Bascos num contexto político muito especial. Actualmente, os bascos encarcerados no Estado francês por motivos políticos são 164, e no Estado espanhol quase 600.
Mais de cem jovens detidos
O contexto político nunca foi alheio ao aumento das detenções e dos encarceramentos, tanto no franquismo como nas últimas três décadas. Como amostra, as investidas do Governo espanhol e do tribunal de excepção de Madrid contra jovens independentistas. Recorde-se como, após o final do processo de negociação em Junho de 2007, o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, anunciou uma ofensiva repressiva para a qual até adiantou um número: 200 detenções e encarceramentos.
Depois deste anúncio, só entre Julho de 2007 e Maio de 2008 verificaram-se mais de 70 detenções de jovens, no âmbito de operações policiais definidas por Madrid como «contra a kale borroka» mas que na realidade, como agora, pretendiam atingir directamente a organização Segi e outras organizações políticas e sociais.
Desde Agosto de 2008, em Hego Euskal Herria - nos três herrialdes do Norte do país já tinha havido uma operação em 2007 com 14 jovens detidos - houve pelo menos outras cinco operações contra jovens independentistas, com cerca de trinta detenções. E a esta cadeia de operações e detenções há que juntar agora o encarceramento de 31 jovens de uma assentada.
No final de 2008, na sequência de uma campanha que Rubalcaba anunciou mesmo a nível internacional e que se concretizou em encarceramentos massivos como os do «caso 18/98», o número de presos políticos bascos bateu um recorde, superando os 750. Durante este ano as saídas tinham sido ligeiramente superiores às entradas na prisão. Mas agora o número dispara outra vez, e ultrapassa os 760.
Atropelamento mortal da Guarda Civil na transferência para a AN

Um carro camuflado da Guarda Civil que no sábado à tarde levava para a Audiência Nacional espanhola uma das jovens bascas detidas na madrugada de terça-feira atropelou mortalmente uma senhora de idade madrilena, depois de ter subido a grande velocidade o passeio por onde passeava. A família de María Carmen Moreno, de 84 anos, apresentou uma queixa por homicídio no Tribunal de Instrução número 18 da capital espanhola.
De acordo com um periódico madrileno, um porta-voz da Guarda Civil afirmou que o carro levava uma luz azul e o pirilampo colocado e evitou um veículo que se atravessou à sua frente, o que o terá obrigado a subir para o passeio. No entanto, não é só a família a divergir desta versão. Um polícia espanhol, fora de serviço, testemunhou o trágico atropelamento. De acordo com o jornal madrileno, este homem viu como o Renault Laguna fazia a Rua de Bravo Murillo a grande velocidade, passando todos os semáforos e subindo para o passeio, onde atropelou a octogenária. A mulher de 84 anos viria a falecer horas depois no Hospital Gregorio Marañón.
A testemunha afirmou ainda que da viatura policial saíram três pessoas com o rosto tapado por um passa-montanhas, que mudaram a matrícula do carro e tentaram fugir do local. Foram retidos pelo polícia fora de serviço até chegar a Polícia Municipal e o condutor teve de fazer o teste de alcoolemia.
Fonte: Gara
Mais de 40 visitas perdidas durante o fim-de-semana passado
Tasio (Gara)Num mês apenas, o número de visitas perdidas supera as 160, «um autêntico escândalo», segundo a Etxerat.
A associação de familiares de presos bascos afirmou que os carcereiros pretenderam «inspeccionar e humilhar através do contacto físico inúmeros familiares, amigos e amigas. Contam com meios electrónicos como o arco ou a raquete, mas procuram atingir a nossa dignidade de uma forma evidente».
Para a Etxerat é claro que essa medida visa «isolar os presos e as presas políticas bascas do seu meio social e afectivo, deter qualquer tipo de comunicação e atingi-los psicologicamente para assim os destruir enquanto pessoas e também como sujeitos políticos».
Para além disso, pensa que este novo endurecimento da «criminosa política penitenciária» se enquadra «numa ofensiva global» em que inclui as «intoxicações mediáticas», a «caça às fotos» ou a ameaça de ilegalização da Etxerat. Por isso, refere que vai recorrer «a todas as instâncias que for preciso», como o Ararteko [Defensor do Povo], instituições do foro jurídico e também internacional.
«Vamos colocar todo o nosso empenho em não deixar sozinhos e sozinhas os nossos familiares, amigos e amigas encarceradas, e vamos trabalhar denodadamente para que os seus direitos e os nossos direitos sejam respeitados de uma vez por todas», assinalam.
Protesto em Córdova
Para protestar contra o que se passou no fim-de-semana, os presos políticos encarcerados em Córdova vão ficar nas suas celas durante um dia.
Fonte: Gara

Na conferência de imprensa que os escritores bascos deram em Donostia na semana passada estiveram presentes: Joxe Auxtin Arrieta, Antxon Gomez, Abelin Linazisoro, Txillardegi, Juan Ramon Garai, Fito Rodriguez, Paco Aristi, Bikila, Martin Anso, Iñaki Gil de San Vicente, Iosu Iraeta, Iñaki Martinez de San Vicente, Luxio Urtubia e Iñaki Egaña.
Outros houve que aderiram à manifestação nacional mas que não puderam estar presentes. É o caso de Edorta Jimenez, Alizia Stürze, Juan Luis Zabala, Xabier Amuriza, Laura Mintegi, Markos Zapiain, Asier Serrano, Koldo Alduntzin, Carlos Frabetti, Joxemari Carrere, Alfonso Sastre, Joxe Azurmendi, Oier Guillane, Iñaki Zabaleta, Joxemari Esparza, Edorta Agirre, Ander Iturriotz, Igor Estankona, Castillo Suarez, Joxe Azurmendi, Ixabel Etxeberria, Josu Iraeta, Gotzon Barandiaran, Rafael Castellano e Joan Mari Irigoien.
No acto, Fito Rodriguez leu o poema «Leer las cárceles», de Iñaki Martinez, e Antxon Gomez (escritor basco) afirmou o seguinte:
«A actual política penitenciária, além de impedir o acesso à própria cultura basca, pune o seu cerne, a nossa língua... e, com isso, todos os bascos. Com a cruel dispersão geográfica que têm de padecer presos e familiares, é toda a nossa sociedade que é cruelmente punida. Passando mesmo por cima das leis em vigor, a pena perpétua é algo que se aplica discriminatoriamente aos bascos no Estado espanhol, apesar das suas graves e/ou incuráveis doenças.
O isolamento e os espancamentos, a violação das comunicações íntimas ou as transferências injustificadas, não procuram mais do que afastar o preso do seu meio social e afectivo e, nessa linha, a perseguição da língua e da cultura basca não são mais que o corolário dessa crueldade sistemática que não persegue outro objectivo que não seja a destruição do indivíduo e dos seus ideais.
Vai sendo hora de acabar com este absurdo. Nós, trabalhadores da cultura, não podemos ficar impassíveis ante tamanha e calculada insensatez. Por isso, queremos lançar um apelo a toda a sociedade para que se sensibilize e responda.
É assim que, perante o apelo à manifestação nas ruas de Bilbau no próximo dia 2 de Janeiro com o lema «Acercamiento de los presos vascos y reparación de sus derechos», nós, escritores abaixo signatários, queremos solidarizar-nos tanto com a convocatória como com a reivindicação que nela se expressa.
Sabemos que para acabar com esta injustiça todo um mundo se deverá juntar nas ruas de Bilbau, e o mundo da cultura basca não faltará a esse encontro.»
Fonte: lahaine.org
Antifaxista Egunak: spot
«Antifaxista Egunak: respuesta popular del movimiento antifascista» é um pequeno documentário sobre as mobilizações e acções antifascistas levadas a cabo em Iruñea nos dias 11 e 12 de Outubro. Nele, vão deparar com uma reportagem sobre os desafios e reflexões que movimentos antifascistas enfrentam actualmente.
À venda, na Feira de Durango, em tabernas e gaztetxes, por 6 euros.
Fonte: SareAntifaxista
terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
É uma festa e um festival, a justiça espanhola! Garzón processa 43 militantes do Batasuna, do EHAK e da ANV
[O juiz do «entramado» contempla a obra feita: no caso, o Egin e a Egin Irratia.]
Baltasar Garzón tornou hoje público um auto em que decreta a conclusão do sumário 4/08, com o processamento de 43 conhecidos militantes do Batasuna, do EHAK (Partido Comunista das Terras Bascas) e da EAE-ANV (Acção Nacionalista Basca), acusados de «integração em organização terrorista».
Os 43 militantes que se sentarão no banco dos réus são Txema Jurado, Eusebio Lasa, Imanol Iparragirre, Joana Regueiro, Anjel Mari Elkano, Asier Imaz, Mikel Garaiondo, Marisa Alejandro, Pernando Barrena, Arantza Santesteban, Haizpea Abrisketa, Ibon Arbulu, Karmele Aierbe, Maite Díaz de Heredia, Marije Fullaondo, Jon Kepa Garai, Mikel Etxaburu, Ana Lizarralde, Aner Petralanda, Juan Joxe Petrikorena, Patxi Urrutia, Mikel Zubimendi, Nuria Alzugarai, Egoitz Apaolaza, Iñigo Balda, Gorka Díaz, Unai Fano, Maite Fernández Labastida, Aitor Aranzabal, Joseba Zinkunegi, Alazne Arozena, Kepa Bereziartua, Ino Galparsoro, Pello Gálvez, Antxon Gómez, Gorka Murillo, Asier Arraiz, Iñaki Olalde, Juan Carlos Ramos, Sonia Jacinto, Jesús Mari Agirre, Nekane Erauskin e Karmele Berasategi.
A maior parte destes encontra-se na prisão desde a operação de Segura, em Outubro de 2007, e a de 11 de Fevereiro de 2008.
Garzón retirou do sumário Rufi Etxeberria, Juan Kurz Aldasoro e Joseba Permach, que vão ver julgados no sumário 35/02, também conhecido como «caso das herriko tabernas», que deu por concluído no dia 1 de Abril de 2008, com o processamento de 41 pessoas. [Vêem? Um festival! Mas há mais.]
Garzón processou no dia 23 de Março deste ano 44 militantes do Batasuna, da EAE-ANV e do EHAK pelas suas actividades políticas. Justificou a sua decisão argumentando que a ANV e o EHAK tinham sido «instrumentalizados pelo Batasuna, para continuar a acção criminosa desenhada pela ETA/Ekin/Batasuna através da frente institucional do complexo terrorista».
No dia 17 de Julho, o magistrado do tribunal de excepção, ex-TOP franquista, ditou um outro auto no qual processou as duas ex-deputadas do EHAK Nekane Erauskin e Karmele Berasategi, o presidente deste partido, Juan Carlos Ramos, e os seus dois tesoureiros, Jesús María Agirre e Sonia Jacinto. A causa já antes tinha estado no TSJPB, em virtude do estatuto das duas deputadas, só depois passando para as mãos de Garzón.
Fonte: lahaine.org
A Audiência Nacional monopoliza as primeiras páginas dos jornais e transformou-se num actor político a que os cidadãos se vão habituando. Peritos internacionais desqualificaram reiteradamente este tribunal que cada vez assume maior protagonismo na vida política. Mas o que implica realmente a Audiência Nacional?
http://www.kaosenlared.net/noticia/audiencia-nacional-espanola-tribunal-politico-especial
O quartel de Leitza. Um circo, disparos e disparates

Nas primeiras horas da manhã os noticiários faziam eco de um tiroteio em que, segundo parecia, se tinham visto envolvidos um agente da Guarda Civil e várias pessoas armadas. Não se especificou o número exacto de pessoas.
Citando fontes da «luta antiterrorista», a agência Efe informava que o tiroteio tinha ocorrido pelas 3h45, depois de o agente, que estava de guarda, alegadamente ter tentado identificar pessoas que, ao que parece, tentavam colocar um artefacto explosivo nas imediações. O guarda civil apresentava uma ferida de bala no braço, tendo sido detectado ainda um tiro no colete à prova de bala.
O ataque foi imediatamente atribuído à ETA, tanto pelos meios de comunicação, que faziam referência a fontes da luta contra a organização armada, como por variadíssimos representantes políticos, que vieram a público fazer a sua avaliação dos acontecimentos e repudiar o suposto atentado. Não expressando qualquer tipo de dúvidas, tendo por certa a autoria da ETA.
Representantes do Governo de Nafarroa condenaram a acção da ETA e solidarizaram-se com o agente ferido; o PP de Nafarroa expressou a mais absoluta e enérgica condenação do terrorismo e agradeceu ao agente ferido, que, com uma valentia sem igual, evitou uma tragédia tamanha; o presidente do CDN, José Andrés Burguete, também veio manifestar apoio e solidariedade às Forças de Segurança do Estado e, em especial, ao agente ferido.
Entretanto, foi veiculada a informação de que tinha sido encontrado um lança-granadas e que o agente ferido também tinha sido autor de disparos, pelo que um membro da ETA poderia estar ferido. E montou-se um circo. A Guarda Civil tomou os acessos à localidade e as imediações e um helicóptero sobrevoou a zona. O espaço à volta do quartel, de acesso vedado, era farejado pelos cães em busca de provas. E os agentes deslocaram-se a casas próximas para perguntar aos moradores se tinham visto ou escutado alguma coisa.
No entanto, o Ministério do Interior do Governo de Madrid continuava sem fazer declarações. Não confirmava nem desmentia as informações que estavam a ser divulgadas.
Depois das 11h30 da manhã a hipótese da autoria da ETA começou a esfumar-se. Os jornalistas que desde a primeiras horas da manhã se tinham aglomerado junto ao quartel de Leitza não atribuíam credibilidade às informações contraditórias que recebiam das redacções pelo telefone.
Respondendo a questões de uma jornalista, um agente da Guarda Civil fez saber que as armas dos agentes do quartel tinham sido levadas para serem analisadas. Isto haveria de pôr os jornalistas que se deslocaram até à localidade navarra na pista do que realmente tinha acontecido.
Primeiro, ainda se aventou a possibilidade de que se tratar de um caso de «fogo amigo». Mas esta hipótese não se aguentou muito tempo. Só mais tarde ganharia força a possibilidade de se tratar de «uma montagem» criada pelo próprio agente.

Esta última hipótese é a principal até ao momento. A agência Efe, citando fontes da luta contra a ETA, informou ao princípio da tarde que as primeiras investigações se dirigem nessa direcção e que as provas apontam para tal.
A munição encontrada nos arredores do quartel corresponde, segundo fontes da investigação, à marca «Santa Bárbara», habitualmente fornecida às Forças e Corpos de Segurança do Estado espanhol.
O que num primeiro momento foi apresentado como um lança-granadas, com o qual a ETA pretendia atentar contra o quartel, era afinal um tubo de PVC.
O disparo recebido pelo agente foi efectuado a apenas um metro de distância e o tiro detectado no seu colete à prova de bala não lhe deixou no tórax o inevitável hematoma que este tipo de impactos produz.
O guarda civil ferido, natural de Málaga e de 34 anos de idade, encontra-se em condição estável, depois da intervenção a que foi sujeito no Hospital de Navarra.
Se da parte da manhã as declarações e avaliações por parte dos diferentes representantes políticos foram uma constante, à tarde minguaram. Fez-se silêncio, literalmente. Nenhum representante se manifestou sobre as novas hipóteses que estavam a ser colocadas, nem ao menos compareceram publicamente para reconhecer o erro das declarações matinais.
Maider EIZMENDI
Utilizam a falsa notícia para desacreditar a proposta de Altsasu
Depois de se atribuir à organização armada a autoria do «atentado», alguns órgãos de comunicação fizeram questão de ligar a notícia à proposta de Altsasu, sendo vários os noticiários que começaram com a narração dos acontecimentos e fazendo alusão ao facto de ocorrerem apenas duas semanas depois de que a esquerda abertzale apresentasse a sua aposta num processo democrático e pacífico.
Os representantes políticos, de proveniências diversas, também não perderam o ensejo, apontando o dedo à esquerda abertzale, à qual pediram reiteradamente que repudiasse «o atentado» e tentando ainda desacreditar a proposta apresentada em Altsasu.
Entre exemplos variados, há o da presidente das Juntas Gerais de Gipuzkoa, Rafaela Romero, que afirmou que «todos os documentos e todas as palavras que falam de novas e pacíficas vias serão cantos de sereias envenenados», se a esquerda abertzale não se posicionar contra o sucedido. Ma mesma linha, expressou-se o porta-voz do PP na CAB, Leopoldo Barreda: «Creio que é um acto que coloca perante a realidade quem não quis ver, para lá das ficções, das artimanhas do Batasuna, das montagens da ETA ou das aparências que queiram construir, esta é a realidade».
E não foram os únicos a vir a terreiro.
Notícia completa: Gara

«Testemunhas de Leitza negam que se tenha suspeitado de um atentado», de Ramón Sola
«O guarda civil estava louco, como se fosse o Rambo. Gritava e viam-se clarões de disparos. Do quartel diziam-lhe 'desce, rapaz, com calma!'». Testemunhas dos acontecimentos de Leitza não entendem como se pôde falar de atentado.
http://www.gara.net/paperezkoa/20091201/169784/es/Testigos-Leitza-niegan-que-sospechara-atentado
«No quartel disseram-me que tinha sido um atentado e que tínhamos que o condenar», entrevista a Xabier Zabalo, presidente da Câmara de Leitza
«Muito magoado». Assim se dizia ontem o presidente da Câmara de Leitza depois de a terra ter andado na boca do mundo no domingo por algo que se veio a revelar falso. Xabier Zabalo revela que antes, mesmo ao amanhecer, a Guarda Civil lhe telefonou e lhe chegou a exigir que condenasse o «atentado».
http://www.gara.net/paperezkoa/20091201/169786/es/En-cuartel-dijeron-que-habia-sido-atentado-que-teniamos-que-condenarlo
«De 'Bartolín' ao militar de Loiola», de R. S.
Casos como o de Leitza podem parecer surrealistas, e são-no de facto, mas a história mostra que em Euskal Herria não são tão fora do comum. Quem não se lembra de «Bartolín», do «sequestro» de Martín Prieto ou do auto-atentado de Loiola?
http://www.gara.net/paperezkoa/20091201/169785/eu/De-Bartolin-militar-Loiola
Manifestação a 19 de Dezembro em Bilbau contra o julgamento do «Egunkaria»

Estiveram presentes cerca de duas mil pessoas assistiram e, para além dos próprios imputados, subiram ao palco artistas tão conhecidos como Gorka Urbizu, Anari, Urko, Oskorri, Rafa Rueda, Mikel Urdangarin e Josu Zabala, Jean Mixel Bedaxagar e Erramun Martikorena, Pantxoa eta Peio, Txomin Artola e Amaia Zubiria, Alex Sardui e Ken Zazpi, entre outros.
Foi um festival em que o canto foi o maior protagonista e, embora tenha reinado o bom ambiente no acolhedor cenário donostiarra, entre os presentes era patente a preocupação com o que os responsáveis do Egunkaria que se irão sentar no banco dos réus podem deparar no julgamento: Martxelo Otamendi, Joan Mari Torrealdai, Iñaki Uria, Txema Auzmendi e Xabier Oleaga.
Se as mensagens a favor do Egunkaria predominaram durante o acto, nem por isso se esqueceu que este não constitui o único processo com as mesmas características, e Nekane Peñagarikano, uma das pessoas que fizeram de apresentadoras, enviou um abraço a todas as pessoas que viveram ou estão um período assim difícil. As suas palavras foram acolhidas com uma grande ovação.
Torrealdai, que falou em nome dos imputados, também recordou os jovens detidos na terça-feira passada, e a sua mensagem de apoio foi igualmente respondida com aplausos da assistência.
«Nunca nos abandonaram»
Torrealdai voltou a apelar à sociedade basca, «que nunca nos abandonou», e pediu-lhe continue a apoiá-los tal como o fez até agora para fazer frente «a este calvário, a esta agressão que não cessou».
Também convidou os presentes a, da mesma forma que até agora pediram o arquivamento do processo, exigirem agora a sua absolvição, «apesar de saber que isso não se fará justiça». «A justiça exige que, além da absolvição, se dê uma reparação, e que os responsáveis do ataque contra nós se sentem no banco dos réus. Mas quem nos irá reparar, a nós e às nossas famílias, o sofrimento destes sete anos?», perguntou.
Torrealdai defendeu também a ideia de que o saírem em liberdade deste processo não é só de grande importância para os imputados, mas também para o euskara e as organizações que trabalham por esta língua, já que «a tese policial sustenta que o trabalho que se faz em prol do euskara à margem das instituições oficiais se faz ao serviço da ETA» e uma condenação «poderia por essa tese policial no caminho de ser doutrina jurídica».
Notícia completa: Gara
Mikel Laboa
Criador livre e genial, a sua última actuação pública foi na companhia de Bob Dylan, na praia de Zurriola. Xoriek-17, de 2005, é o seu último álbum, depois do qual compilou as suas Lekeitioak, em 2007, culminando assim a reedição de toda a sua obra em formato digital. Muitas das suas canções pertencem já à memória popular. (Do Gara, 1/12/2009)
«Gure Bazterrak»
Beti gure bihotzean.
APURTU TELEBISTA
errealitatea ikusteko beste modu bat
uma outra forma de ver a realidade
zure eskura
à tua disposição
musika / música
berriak / notícias
elkarrizketak / entrevistas
dokumentalak / documentários
erreportaiak / reportagens
Nota: Para além de tudo o mais, a Apurtu Telebista tem estado a passar um conjunto de documentários e de reportagens do máximo interesse. Aupa!
segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Euskadi: a fórmula Saint Jean

Esta sombria reflexão acode-nos imediatamente à consciência ao ler as notícias que dão conta da razia praticada por mais de 650 agentes da Polícia espanhola e da Guarda Civil e que culminou com a detenção e transferência para Madrid de 34 jovens do País Basco, acusados de «terroristas». Acontece que em Espanha, tão exaltada como exemplo de uma bem-sucedida transição do franquismo para a democracia, aquele qualificativo pode ser atribuído a qualquer pessoa que em Euskadi se atreva a pensar que seria bom alcançar uma solução negociada para o conflito político que há décadas agita o País Basco, ou que se manifeste a favor de uma amnistia ou, simplesmente, que tenha a ousadia de exigir que se ponha fim à tortura que é aplicada rotineiramente - apesar das numerosas denúncias de organizações internacionais - a quem tenha a infelicidade de cair nas mãos das forças repressivas do Estado espanhol.
A intransigência irracional de Madrid fica muito bem sintetizada nas palavras dirigidas há pouco pelo Ministro do Interior aos independentistas bascos: «Mesmo que a esquerda abertzale dissesse que condena a violência e solicitasse a sua legalização 'a resposta vai ser radicalmente não'.» Este mesmo personagem já antes tinha colocado os independentistas perante a escolha: «ou votos, ou bombas», e, quando estes disseram «votos» - e apresentaram a candidatura Iniciativa Internacionalista para o Parlamento Europeu -, este santo homem, democrata até ao tutano, aplicou-lhes o garrote vil da Lei de Partidos e condenou-os a uma permanente ilegalidade.
Fechadas todas as vias legais para quem não pensa como Madrid quer que se pense, não é preciso ser um sábio para inferir que as vias extra-legais se nutrirão com o crescente apoio de tanta gente que em Euskal Herria não está disposta a renunciar ao direito à autodeterminação dos povos, uma conquista histórica que o Estado espanhol se recusa teimosamente a reconhecer, já que nem sequer autoriza uma espécie de «quarta urna», como a imaginou Zelaya nas Honduras, para que o povo, soberano inapelável de qualquer democracia digna desse nome, diga se quer ou não ser consultado sobre a questão.
A doutrina do terrorismo omnipresente tão cara aos militares argentinos foi aplicada nesta oportunidade contra uma organização juvenil, Segi. O tragicómico de tudo isto, retrata-o mais uma vez o diário El País (outro mito jornalístico, de prestígio tão manufacturado como imerecido) quando informou os seus leitores que, mediante o «vandalismo terrorista a Segi procurava aumentar a pressão sobre as chamadas 'lutas prioritárias': a construção do 'estado basco' e o combate contra o TGV, o modelo educativo de Euskadi e a especulação imobiliária.» Como o leitor pode apreciar, estes jovens prisioneiros tinham uma agenda não só revolucionária como também terrorista: opor-se ao combóio-bala que destruiria o meio ambiente e dividiria regiões inteiras do país é um acto inegavelmente vandálico e terrorista, o mesmo que discutir o modelo educativo, coisa que se está a fazer por todo o lado na Europa, e combater a especulação imobiliária, causadora de gravíssimos problemas em Espanha e no País Basco.
Na sua grande maioria a Segi é formada por jovens universitários independentistas, activamente vinculados a diversas associações que desenvolvem tarefas comunitárias. Como se fosse um insulto à informação oficial, deixou saber que alguns destes vândalos «ocuparam cargos de representação estudantil na Universidade». Segundo as explicações brindadas pelo Ministério do Interior, os detidos tê-lo-iam sido por «exercerem supostamente funções de responsabilidade na Segi». Ou seja, presume-se a comissão de um delito, e isso basta para encarcerar os suspeitos numa operação efectuada, como na Argentina daqueles anos de chumbo, a altas horas da madrugada e a cargo de pessoal encapuzado.
Basta ligar os acusados a qualquer pessoa ou organização que no passado tenha actuado na legalidade defendendo o projecto independentista para ser considerado um terrorista. Basta partilhar o projecto estratégico da independência e o socialismo - mesmo quando se condenam os métodos violentos para o alcançar e se opta pelas tácticas de Mahatma Gandhi - para que todo o peso da «justiça» caia sobre os acusados. Pensar ou sonhar são delitos imperdoáveis. Mediante esta monstruosidade jurídica, pune-se a pessoa, não os seus actos. O corolário desta retrógrada concepção é uma justiça que não reconhece o habeas corpus, trava a acção dos advogados de defesa, impede a presença de um médico de confiança, estabelece cinco dias em regime de incomunicação sem notificar os familiares sobre o paradeiro do detido, legaliza a tortura e os maus tratos, e leva a julgamento os acusados fora da jurisdição ordinária, num tribunal de excepção herdado da época franquista.
As violações aos direitos humanos que Madrid perpetra diariamente em Euskadi são irremediavelmente incompatíveis com a democracia. Provas: um, o juiz da Audiência Nacional que conduz o processo, Fernando Grande-Marlaska, rejeitou o pedido dos advogados de defesa para que fosse aplicada aos detidos o «Protocolo Garzón», que requer que sejam assistidos por um médico de confiança, que o período de detenção seja gravado e que os familiares sejam informados a todo momento sobre o paradeiro e o estado dos detidos. Por alguma razão o terá rejeitado.
Dois: é surpreendente verificar que em certos aspectos o governo espanhol faz o que nem a ditadura argentina se atreveu a fazer. Por exemplo: proibir a exibição pública de fotografias das vítimas da repressão que faziam os familiares, amigos e os movimentos de solidariedade, uma maneira subtil de tentar fazer «desaparecer» pessoas, menos criminosa que a que conhecemos na Argentina, mas também violadora dos direitos humanos. Por isso em muitos bares, desses que proliferam por toda Euskal Herria, as fotos dos independentistas detidos nas prisões espanholas foram substituídas pelas suas silhuetas faciais.
Ao criminalizar a dissidência política e a aspiração independentista, o Estado espanhol volta a afundar-se nas suas piores tradições, sintetizadas na nefasta maridagem entre a cruz e a espada. Tradições que durante três séculos padeceram os povos da Nossa América depois da conquista e que, na Argentina, haveria de reaparecer no discurso e na prática da ditadura militar: matar os subversivos, os seus colaboradores, os seus simpatizantes, os indiferentes, e os tímidos. Uma escalada infernal de morte e destruição que submergiu este país num banho de sangue mas que, a longo prazo, foi derrotada pela capacidade de resistência e de luta das vítimas.
Seria conveniente que Madrid estudasse o que se passou na Argentina, e tomasse nota de duas grandes lições que a nossa história deixa: primeiro, que a repressão tem custos crescentes e uma decrescente eficácia dissuasora, e que, portanto, não serve para resolver nenhum problema social ou político como os que a questão basca suscita; segundo, que se não detiver, antes de que seja demasiado tarde, a aplicação da «fórmula Saint Jean» para enfrentar as aspirações independentistas dos bascos, o futuro dos diversos povos e nações que dificultosa e conflituosamente convivem no Estado espanhol poderá assumir as características de uma tragédia de inéditas proporções.
Atilio Boron
http://www.atilioboron.com/
Fonte: lahaine.org
As denúncias de tortura dos jovens encarcerados aumentam

Tocamentos, simulação de violações, socos contínuos na cabeça e nos órgãos genitais, ameaças com injecções de droga, horas em posturas forçadas, insultos e pressões psicológicas. Estes são alguns dos testemunhos recolhidos pelos familiares e advogados dos 31 jovens independentistas encarcerados por ordem do juiz Fernando Grande Marlaska.
Conforme eram presentes ao magistrado do tribunal de excepção e abandonavam o regime de incomunicação em que tinham estado, sob controlo da Guarda Civil ou da Polícia espanhola, os jovens encarcerados iam dando conta da forma como tinham sido tratados nas mãos dos seus captores. Os maus tratos iam-se agravando à medida que se alargava o período de incomunicação e, enquanto a maioria dos jovens enviados para a prisão na quinta-feira davam conta de torturas psicológicas, os que estiveram quatro dias nas mãos dos seus captores já alertavam para o facto de as torturas não terem sido apenas psicológicas.
As donostiarras Maialen Eldua e Garazi Rodríguez, encarceradas no sábado, relataram ter sido apalpadas pelos agentes, bem como ter sofrido «ameaças de violação e assassinato». Ambas indicaram, de acordo com o primeiro resumo das denúncias de tortura efectuadas por estes jovens que o Movimento pró-Amnistia emitiu, que tinham sido obrigadas a permanecer apenas com a parte de baixo da roupa interior durante os interrogatórios e que «foram tocadas e beijadas da cintura para cima» pelos polícias.
Neste resumo afirma-se também que outro dos jovens encarcerados no sábado, sem que se especifique a sua identidade, foi vítima de «uma simulação de violação». E refere-se com detalhe que outro foi picado nas costas com uma seringa, depois de lhe terem dito que o iam drogar.
A maior parte dos jovens que foram mandados para a prisão no sábado - além das donostiarras, o elorrioarra Ibai Esteibarlanda, o sestaoarra Mikel Totorika, o tolosarra Haritz López, o andoaindarra Euken Villasante e os jovens gasteiztarras Aitor Liguerzana, Unai Ruiz e Jagoba Apaolaza -, denunciaram ter levado socos sem parar na cabeça, terem sido ameaçados com «o saco» e sido forçados a permanecer em posturas forçadas.

O Movimento pró-Amnistia recolhe também as denúncias realizadas pelos gasteiztarras Néstor Silva, Zumai Olalde e Jon Anda; os donostiarras Eihar Egaña e Aitziber Arrieta; os sestaoarras Idoia Iragorri e Nahaia Aguado; a habitante de Barañain Garbiñe Urra; a amezketarra Irati Mujika; Xumai Matxain, de Zaldibia; e o iruindarra Oier Zuñiga, todos eles encarcerados na sexta-feira. Nas denúncias de tortura também se incluem agressões sexuais, obrigação de realizar exercícios físicos, «o saco» e agressões repetidas na cabeça com um livro, entre outras formas de maus tratos.
Um jovem denunciou ainda, segundo o relatório emitido, que a caminho a Madrid os agentes pararam o veículo e disseram que iam ver o local em que se encontra o militante político desaparecido Jon Anza. Outro testemunho afirma-se que um jovem foi «obrigado a pegar numa arma em jeito de chantagem», e outros garantem que lhes apontaram armas durante os interrogatórios.
O Movimento pró-Amnistia também relata que «um jovem foi forçado a deitar-se numa cama, onde os agentes lhe caíram em cima».
Em Andoain 120 personas denunciaram esta operação ontem e hoje realizarão outra marcha, tal como em Sestao.
Notícia completa: Gara
Apoios internacionais à iniciativa da esquerda 'abertzale'

O partido alemão Die Linke saudou a declaração apresentada pela esquerda abertzale há duas semanas em Altsasu e considera que com esta iniciativa «se situou correctamente o ponto fraco do Estado espanhol: o terreno da política».
Na nota, subscrita pela sua porta-voz de Política Interna no Bundestag, Ulla Jelpke, a formação alemã aplaude a aposta da esquerda abertzale para confrontar politicamente o Estado espanhol, sobre o qual afirma que «teme muito mais uma esquerda abertzale democraticamente legitimada e enraizada na população que a resistência armada».
Por isso, vaticina que o Estado espanhol continuará com a repressão exercida sobre o independentismo basco e augura que a intensificará. E é precisamente nesse contexto que enquadra a operação da semana passada contra a juventude de esquerda e abertzale.
Notícia completa: Gara
A Rede Gernika apoia a iniciativa da Esquerda Abertzale
Declaração da Rede Gernika pela Autodeterminação
Statement of the Gernika Network for Self-Determination

More than two years ago, and exactly 70 years after the bombing of Gernika, we, elected representatives from different European countries, created the Gernika Network for Self-Determination of the Basque Country. The objectives of this network are: To promote at international and Institutional level the acknowledgement of the right to self-determination of the Basque Country. And to lobby in favour of a dialogued solution to the existing political conflict.
Political situation in the Basque Country has not improved in the last two years. Massive detentions of political leaders, long jail sentences against political activists, the use of torture, armed actions by ETA, police occupation, several sabotage actions against property and people, illegalisation of political parties... are the tragic consequences of the conflict after the failure of the negotiating process.
On this current scenario the Abertzale Left has shown again its commitment to overcome blockades and find solutions to this tragic conflict. Fortunately today, we are in a position to acknowledge positive steps towards a resolution of the conflict. Last Saturday, 14th of November, the Abertzale Left presented what they called "A first step for the Democratic Process: principles and will of the Abertzale Left". In this document the Abertzale Left commits itself to a "democratic process" that "must be developed in a complete absence of violence and without interference, by the use of exclusively political and democratic means". It also considers that multiparty talks process "has to be conducted in accordance with the Mitchell principles".
The document continues stating that "The resulting agreement should guarantee that all political projects could not only be defended with equal opportunities and without any pressure or external interference but they could also be implemented if that was the desire of the majority of the Basque citizenship, expressed though the available legal
procedures."
We, members of the Gernika Network would like to welcome and applaud the initiative of the Abertzale Left. We believe that this statement facilitates a positive scenario for dialogue and agreement.
All parties involved in the conflict, and specially the Spanish State, should react positively to the initiative and should engage themselves in a multilateral agreement that is based on dialogue, peaceful and democratic means and entitles the Basques to decide upon their future freely.
We demand the immediate release of Arnaldo Otegi and all members of the Abertzale Left arrested last years because of their political activities, including former MPs, local elected representatives and former MEP Karmelo Landa whose release has been urged by the UN Working Group on Arbitrary Detention.
We regret the new police operation against dozens of Basque youth activists. A peaceful and lasting settlement within the Basque Country will only be achieved when all citizens' civil and political rights are accorded full and proper respect.
Finally, we, MPs and elected representatives all over Europe, renew our compromise to work nationally and internationally for a peaceful and democratic solution to the conflict in the Basque Country. Therefore we call for all our colleagues around Europe and America, MPs and elected representatives, to promote a democratic peace process that will solve the ongoing conflict in the Basque Country based on the Basques rights to decide about their future.
26th November 2009
Members of the Elected Representative’s Network in favour of the Basque Country’s right to Self determination.
EUROPE
Ulla Jelpke, Michael Leutert (Germany)
Otger Amatller, Laia Jurado, Ana Maria Guijarro, Anna Gabriel (Catalan Countries)
Jeannette Escanilla (Sweden)
Jespel Kiel (Denmark)
Ingrid Baltzersen (Norway)
Sandro Medici, Cristiana Cortesi (Italia)
Jean Guy Talamoni (Corsica)
Francie Brolly, Aengus O'Snodaigh, Alex Maskey (Ireland)
Bill Kidd, Bill Wilson, Jamie Hepburn, John Wilson, Bob Dorris (Scotland)
Pascal Prince (Switzerland)
Juan Manuel Sánchez Gordillo (Andalusia)
Mariano Abalo (Galicia)
AMERICA
Wilmer Iglesias, Edgar Lucena, Manuel Briceño, Gustavo Hernández, Oscar Figuera, Carolus Wimmer, Youl Jabour, Amilcar Figueroa, (Venezuela)
Rosario Ibarra, Humberto Zazueta, José Jacques, Daniel Ordonez, Eliana García, Eduardo Espinosa, Jorge Martinez Ramos (Mexico)
http://gernikanetwork.blogspot.com/2009/11/statment-of-self-determination-gernika.html
Fonte: lahaine.org
Dois lançamentos da Ahaztuak 1936-1977: para a recuperação da memória histórica

A obra é fruto de um trabalho meticuloso de entrevistas e recolha de documentação e fotografias realizado por Jose Luis Diaz Monreal, membro navarro da Ahaztuak 1936-1977, cuja paixão pela história e pela memória - democrática e antifascista - é uma constante.
Para além disso, a Ahaztuak 1936-1977 edita o seu terceiro volume de Oroitzopenerako Kantak [Canções para a Memória], CD que se enquadra no seu trabalho de divulgação da Memória, não como mero termo historicista, mas como um elemento de afirmação e confirmação de valores e ideais democráticos.
http://ahaztuak1936-1977.blogspot.com/2009/11/ahaztuak-edita-su-tercer-volumen-de.html
Fontes: kaosenlared.net e SareAntifaxista
Na imagem, capa de La Historia Olvidada. EGI Batasuna en Nafarroa en la década de los 60, que será o primeiro livro da colecção Izarren Hautsa.
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